sexta-feira, 22 de julho de 2016
Muita coisa interessante foi descoberta no século XIX: Meucci inventou
o telefone, Edison a lâmpada incandescente, Mendel fez grandes descobertas no
campo da genética e Darwin fez uma interessante viagem de barco e conheceu
tartarugas. Mas acredito que o campo mais interessante foi o de Sigmund Freud.
Ele foi o primeiro escritor que tive que ler oito vezes o mesmo livro para
entender o que queria. Ainda assim tenho lá minhas dúvidas de interpretação.
Muitas das descobertas de Freud foram descobertas baseadas em sua
própria experiência problemática. Isso me chamou muito a atenção durante alguns
de meus pensamentos filosóficos enquanto vendia bilhetes falsos nas estações de
trem. Podemos até mesmo amostrar com outras pessoas, mas nada como observar
isso na própria pele. É dele o conceito
de “Complexo de Édipo”, no qual a criança tende a gostar mais do pai ou da mãe,
dependendo de quem liberar mais o videogame.
Fiquei pensando muito tempo sobre os temas que ele estudou. Seu livro
mais famoso, “a interpretação dos sonhos”, já diz tudo. Sim, ele interpretava
sonhos. Não como os atores brasileiros interpretam nas telas, como se não
soubéssemos que estão mentindo, mas de uma forma mais condizente. Por causa
desse livro, cheguei a uma conclusão importante: “Triste é aquele homem que sonhou
com os números da loteria em romanos e não sabe fazer a conversão”. Talvez desse ponto surja o princípio de minha
tese da interpretação dos pesadelos.
Alguns dos meus colegas de trabalho afirmaram que eu era louco por ler
os trabalhos desse austríaco. Loucos eram eles: eu nunca trabalhei. Na verdade,
certa vez li tanto os livros dele que pensei eu mesmo estar louco, como
constatou para si o Alienista, mas ao invés de me isolar num hospício, tentei a
hipnose. Confesso que na época eu não encontrei os métodos freudianos desta
prática, já que ele mesmo havia abandonado. Então tentei assistir o telejornal
chamado “tendencial”, e acabei dormindo e sonhando que eu estava bem informado.
Mas não estava, era um pesadelo.
Daí, conheci um antigo professor chamado Assis de Machado, que também
era lenhador. Ele conhecia Freud como ninguém (era louco). Ele disse que
pesadelos, segundo o psicanalista, derivavam de nossos próprios medos. Ele, por
exemplo, tinha medo de quando chegava eu sua casa a conta de luz. Todo o começo
do mês era uma aflição. Ele chegou a sonhar que a própria usina hidrelétrica, a
termelétrica, as torres eólicas e os painéis solares vinham lhe cobrar a
energia gerada durante o mês. Ele inclusive tentou sobreviver apenas com lenha.
Desta vez as árvores lhe cobraram a dívida durante o sono. Foi então que ele
resolveu encarar seus medos e começou a pagar as contas. Seus pesadelos sumiram
e as distribuidoras de energia se salvaram da falência.
Ele acabou fazendo sua tese de doutorado sobre o assunto, entretanto,
no dia da entrega, ele esqueceu onde havia deixado sua monografia. Foi reprovado
e excomungado da comunidade acadêmica por 15 anos. Uma semana antes ele me
solicitou para dar uma olhada no trabalho e deixei em cima do fogão a lenha.
Antes que minha sobrinha acendesse o fogo, resgatei-o, mandei para uma revista
científica e concorri ao Nobel de medicina. Mas calma, não o culpem por ser meu
amigo. Isso tudo foi apenas um sonho (ou pesadelo?).
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